Um estudo aprofundado, vem comigo! Ah, quer ouvir o podcast? Aceda aqui https://open.spotify.com/episode/3iCaOv9oqwufDAGOc4Eboy?si=eBtSjkq1TKKlfveqPC_X2A Olheiras: Porque não é apenas "falta de sono" e o guia dos tratamentos estéticos avançados É a queixa mais comum no consultório de estética: um olhar cansado que não desaparece, mesmo após uma boa noite de sono. Embora a fadiga e a falta de descanso possam agravar a aparência das olheiras, raramente são a causa única. A realidade é que as olheiras (hiperpigmentação periorbitária) são uma condição complexa e multifatorial. Para os profissionais de estética e para quem procura soluções reais, o segredo não está num "creme milagroso", mas sim no diagnóstico correto do tipo de olheira e na aplicação do tratamento especializado correspondente. ste artigo, vamos dissecar a anatomia das olheiras e explorar os tratamentos estéticos não cirúrgicos mais eficazes e especializados para cada caso. 1. O Diagnóstico: O Passo Crítico Antes do Tratamento Antes de escolher um laser ou um peeling, é fundamental identificar o que está a causar o escurecimento. A classificação clínica mais aceite divide as olheiras em quatro categorias principais: Pigmentar (Tipo P): Caracterizada por um tom castanho ou amarelado. Resulta da acumulação excessiva de melanina na epiderme ou derme. É comum em fototipos mais altos ou devido à exposição solar excessiva. Vascular (Tipo V): Apresenta uma cor azulada, arroxeada ou avermelhada. Ocorre porque a pele da pálpebra é a mais fina do corpo, tornando visíveis os vasos sanguíneos subjacentes e a estase venosa (retenção de fluidos). Estrutural (Tipo S): Cria um efeito de "sombra". Não é um problema de cor da pele, mas sim de anatomia (sulco lacrimal profundo, perda de gordura e flacidez) que cria uma depressão onde a luz não incide. Mista: A maioria dos casos reais é uma combinação das anteriores (ex: pigmento + vascular). O Teste Prático de Gabinete Para distinguir entre pigmento e estrutura/vascularização, os especialistas utilizam o teste de tração da pele: estica-se suavemente a pele da pálpebra inferior. Se a olheira clarear significativamente, a causa é provavelmente vascular ou estrutural (a pele fina esticada esconde menos os vasos ou elimina a sombra). Se a cor escura permanecer, trata-se de pigmentação verdadeira (melanina). 2. Tratamentos Estéticos Especializados (Não Cirúrgicos) Uma vez identificado o tipo, podemos avançar para protocolos avançados que vão além dos cremes tópicos básicos. A. Peellings Químicos: O Padrão para Olheiras Pigmentares Para olheiras castanhas (melanose), a esfoliação química controlada é altamente eficaz. Ácido Glicólico vs. Ácido Láctico: Estudos comparativos mostram que ambos são eficazes. O ácido glicólico é potente na renovação celular, mas o ácido láctico demonstrou, em alguns estudos, oferecer uma eficácia comparável com menor risco de efeitos secundários e maior satisfação do paciente. Segurança: Em peles mais escuras (fototipos altos), os peelings químicos (como o de ácido glicólico) demonstraram, por vezes, um perfil de segurança superior ao de certos lasers, com menor risco de hiperpigmentação pós-inflamatória. B. Lasers e Tecnologias de Luz: Precisão para Pigmento e Textura As tecnologias baseadas em energia são excelentes para casos resistentes e para melhorar a qualidade da pele. Lasers Q-Switched (Nd:YAG e Rubi): Estes lasers emitem pulsos de energia ultra-rápidos que fragmentam o pigmento (melanina) sem danificar o tecido circundante. Estudos clínicos confirmam que o laser Q-Switched Nd:YAG fracionado de baixa fluência é seguro e eficaz, reduzindo significativamente o índice de melanina e a eritema (vermelhidão). O laser de Rubi (694 nm) também é eficaz para pigmentação dérmica profunda. Luz Pulsada Intensa (IPL): É particularmente útil para a componente vascular e fotosenvelhecimento, ajudando a coagular pequenos vasos e a clarear manchas superficiais. Nota de Segurança: O uso de lasers na região periocular exige proteção ocular rigorosa (escudos intraoculares metálicos) para evitar lesões na retina. C. Preenchimento com Ácido Hialurónico: A Solução para a "Sombra" Quando o problema é estrutural (o sulco da lágrima ou tear trough), nenhum creme resolverá a "sombra". A solução passa por repor o volume perdido. A Técnica: O preenchimento com ácido hialurónico (AH) deve ser aplicado profundamente (nível supraperiosteal) para elevar o tecido e suavizar a transição entre a pálpebra e a bochecha. Cuidado com o Efeito Tyndall: Se o preenchimento for colocado muito superficialmente, a luz dispersa-se através do gel, criando uma coloração azulada inestética conhecida como Efeito Tyndall. A escolha de um AH de baixa viscosidade e a técnica correta (preferencialmente com cânula para reduzir hematomas) são cruciais. E aqui uma adenda: não é minha primeira escolha, nem a segunda e nem a terceira kkk. Preenchimento não tem de ser uma via de escolha para as olheiras, uma vez que a longo prazo os efeitos são negativos. D. Terapias Regenerativas: PRP e Microagulhamento Para quem tem pele muito fina ou flacidez, o objetivo é espessar a derme para que os vasos sejam menos visíveis. Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Utiliza os fatores de crescimento do próprio paciente para estimular colagénio e melhorar a qualidade da pele e a circulação. Estudos mostram melhoria na homogeneidade da cor e satisfação do paciente. Microagulhamento: Cria microlesões controladas que estimulam a produção de colagénio, podendo ser combinado com séruns despigmentantes ou PDRN e Exosomes para potenciar resultados. 3. Manutenção Domiciliária: O Reforço Necessário Embora os procedimentos de gabinete façam o trabalho pesado, a manutenção em casa é vital. Procure ingredientes com evidência científica: Cafeína: Vasoconstritora, ajuda a reduzir o edema ("papos") e a visibilidade vascular temporária. Vitamina K: Ajuda na resolução de hematomas e na integridade vascular. Retinol: Estimula o colagénio e a renovação celular, espessando a pele a longo prazo (deve ser usado com cautela na zona ocular). Vitamina C e Niacinamida: Antioxidantes que ajudam na luminosidade e no controlo da pigmentação. Conclusão As olheiras não são todas iguais, e o seu tratamento também não deve ser. Se o seu caso é pigmentar, os peelings e lasers Q-Switched são os seus aliados. Se é vascular ou estrutural, o preenchimento criterioso ou terapias regenerativas (PRP) oferecerão melhores resultados. Recomendação Final: Procure sempre um profissional qualificado que faça um diagnóstico diferencial (teste de tração e análise de cor) antes de propor qualquer procedimento. O sucesso depende menos do "produto da moda" e mais da identificação correta da causa subjacente. Espero que tenha gostado, Um grande abraço Prof Gustavo Galves Palavras chave neste artigo: A importância do diagnóstico preciso das olheiras: Identificar se as olheiras são pigmentares, vasculares, estruturais ou mistas é fundamental para determinar o tratamento mais adequado e eficaz. Teste de tração da pele como ferramenta diagnóstica: Esticar suavemente a pele da pálpebra inferior ajuda a distinguir entre causas vasculares/estruturais, que melhoram com o estiramento, e pigmentares, que permanecem escuras. Tecnologias de luz e laser na correção das olheiras: Lasers Q-Switched e Luz Pulsada Intensa são eficazes na fragmentação de pigmentos e na coagulação de vasos, melhorando a aparência de olheiras resistentes. Tratamentos estéticos avançados para olheiras pigmentares: Para casos de melanose, peelings químicos com ácido glicólico ou láctico são altamente recomendados, com maior segurança em peles mais escuras. Procedimentos estruturais e de manutenção para olheiras: Preenchimento com ácido hialurônico e terapias regenerativas, como PRP e microagulhamento, são opções para melhorar a sombra estrutural, mas requerem diagnóstico cuidadoso e técnica adequada.