Olheiras: Porque não é apenas “falta de sono” e o guia dos tratamentos estéticos avançados

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Olheiras: Porque não é apenas “falta de sono” e o guia dos tratamentos estéticos avançados

É a queixa mais comum no consultório de estética: um olhar cansado que não desaparece, mesmo após uma boa noite de sono. Embora a fadiga e a falta de descanso possam agravar a aparência das olheiras, raramente são a causa única.

A realidade é que as olheiras (hiperpigmentação periorbitária) são uma condição complexa e multifatorial. Para os profissionais de estética e para quem procura soluções reais, o segredo não está num “creme milagroso”, mas sim no diagnóstico correto do tipo de olheira e na aplicação do tratamento especializado correspondente.

ste artigo, vamos dissecar a anatomia das olheiras e explorar os tratamentos estéticos não cirúrgicos mais eficazes e especializados para cada caso.


1. O Diagnóstico: O Passo Crítico Antes do Tratamento

Antes de escolher um laser ou um peeling, é fundamental identificar o que está a causar o escurecimento. A classificação clínica mais aceite divide as olheiras em quatro categorias principais:

     

      1. Pigmentar (Tipo P): Caracterizada por um tom castanho ou amarelado. Resulta da acumulação excessiva de melanina na epiderme ou derme. É comum em fototipos mais altos ou devido à exposição solar excessiva.

      1. Vascular (Tipo V): Apresenta uma cor azulada, arroxeada ou avermelhada. Ocorre porque a pele da pálpebra é a mais fina do corpo, tornando visíveis os vasos sanguíneos subjacentes e a estase venosa (retenção de fluidos).

      1. Estrutural (Tipo S): Cria um efeito de “sombra”. Não é um problema de cor da pele, mas sim de anatomia (sulco lacrimal profundo, perda de gordura e flacidez) que cria uma depressão onde a luz não incide.

      1. Mista: A maioria dos casos reais é uma combinação das anteriores (ex: pigmento + vascular).

    O Teste Prático de Gabinete

    Para distinguir entre pigmento e estrutura/vascularização, os especialistas utilizam o teste de tração da pele: estica-se suavemente a pele da pálpebra inferior.

       

        • Se a olheira clarear significativamente, a causa é provavelmente vascular ou estrutural (a pele fina esticada esconde menos os vasos ou elimina a sombra).

        • Se a cor escura permanecer, trata-se de pigmentação verdadeira (melanina).


      2. Tratamentos Estéticos Especializados (Não Cirúrgicos)

      Uma vez identificado o tipo, podemos avançar para protocolos avançados que vão além dos cremes tópicos básicos.

      A. Peellings Químicos: O Padrão para Olheiras Pigmentares

      Para olheiras castanhas (melanose), a esfoliação química controlada é altamente eficaz.

         

          • Ácido Glicólico vs. Ácido Láctico: Estudos comparativos mostram que ambos são eficazes. O ácido glicólico é potente na renovação celular, mas o ácido láctico demonstrou, em alguns estudos, oferecer uma eficácia comparável com menor risco de efeitos secundários e maior satisfação do paciente.

          • Segurança: Em peles mais escuras (fototipos altos), os peelings químicos (como o de ácido glicólico) demonstraram, por vezes, um perfil de segurança superior ao de certos lasers, com menor risco de hiperpigmentação pós-inflamatória.

        B. Lasers e Tecnologias de Luz: Precisão para Pigmento e Textura

        As tecnologias baseadas em energia são excelentes para casos resistentes e para melhorar a qualidade da pele.

           

            • Lasers Q-Switched (Nd:YAG e Rubi): Estes lasers emitem pulsos de energia ultra-rápidos que fragmentam o pigmento (melanina) sem danificar o tecido circundante. Estudos clínicos confirmam que o laser Q-Switched Nd:YAG fracionado de baixa fluência é seguro e eficaz, reduzindo significativamente o índice de melanina e a eritema (vermelhidão). O laser de Rubi (694 nm) também é eficaz para pigmentação dérmica profunda.

            • Luz Pulsada Intensa (IPL): É particularmente útil para a componente vascular e fotosenvelhecimento, ajudando a coagular pequenos vasos e a clarear manchas superficiais.

            • Nota de Segurança: O uso de lasers na região periocular exige proteção ocular rigorosa (escudos intraoculares metálicos) para evitar lesões na retina.

          C. Preenchimento com Ácido Hialurónico: A Solução para a “Sombra”

          Quando o problema é estrutural (o sulco da lágrima ou tear trough), nenhum creme resolverá a “sombra”. A solução passa por repor o volume perdido.

             

              • A Técnica: O preenchimento com ácido hialurónico (AH) deve ser aplicado profundamente (nível supraperiosteal) para elevar o tecido e suavizar a transição entre a pálpebra e a bochecha.

              • Cuidado com o Efeito Tyndall: Se o preenchimento for colocado muito superficialmente, a luz dispersa-se através do gel, criando uma coloração azulada inestética conhecida como Efeito Tyndall. A escolha de um AH de baixa viscosidade e a técnica correta (preferencialmente com cânula para reduzir hematomas) são cruciais.

            E aqui uma adenda: não é minha primeira escolha, nem a segunda e nem a terceira kkk. Preenchimento não tem de ser uma via de escolha para as olheiras, uma vez que a longo prazo os efeitos são negativos.

            D. Terapias Regenerativas: PRP e Microagulhamento

            Para quem tem pele muito fina ou flacidez, o objetivo é espessar a derme para que os vasos sejam menos visíveis.

               

                • Plasma Rico em Plaquetas (PRP): Utiliza os fatores de crescimento do próprio paciente para estimular colagénio e melhorar a qualidade da pele e a circulação. Estudos mostram melhoria na homogeneidade da cor e satisfação do paciente.

                • Microagulhamento: Cria microlesões controladas que estimulam a produção de colagénio, podendo ser combinado com séruns despigmentantes ou PDRN e Exosomes para potenciar resultados.


              3. Manutenção Domiciliária: O Reforço Necessário

              Embora os procedimentos de gabinete façam o trabalho pesado, a manutenção em casa é vital. Procure ingredientes com evidência científica:

                 

                  • Cafeína: Vasoconstritora, ajuda a reduzir o edema (“papos”) e a visibilidade vascular temporária.

                  • Vitamina K: Ajuda na resolução de hematomas e na integridade vascular.

                  • Retinol: Estimula o colagénio e a renovação celular, espessando a pele a longo prazo (deve ser usado com cautela na zona ocular).

                  • Vitamina C e Niacinamida: Antioxidantes que ajudam na luminosidade e no controlo da pigmentação.


                Conclusão

                As olheiras não são todas iguais, e o seu tratamento também não deve ser. Se o seu caso é pigmentar, os peelings e lasers Q-Switched são os seus aliados. Se é vascular ou estrutural, o preenchimento criterioso ou terapias regenerativas (PRP) oferecerão melhores resultados.

                Recomendação Final: Procure sempre um profissional qualificado que faça um diagnóstico diferencial (teste de tração e análise de cor) antes de propor qualquer procedimento. O sucesso depende menos do “produto da moda” e mais da identificação correta da causa subjacente.

                Espero que tenha gostado,

                Um grande abraço

                Prof Gustavo Galves

                Palavras chave neste artigo:

                    • A importância do diagnóstico preciso das olheiras: Identificar se as olheiras são pigmentares, vasculares, estruturais ou mistas é fundamental para determinar o tratamento mais adequado e eficaz.

                    • Teste de tração da pele como ferramenta diagnóstica: Esticar suavemente a pele da pálpebra inferior ajuda a distinguir entre causas vasculares/estruturais, que melhoram com o estiramento, e pigmentares, que permanecem escuras.

                    • Tecnologias de luz e laser na correção das olheiras: Lasers Q-Switched e Luz Pulsada Intensa são eficazes na fragmentação de pigmentos e na coagulação de vasos, melhorando a aparência de olheiras resistentes.

                    • Tratamentos estéticos avançados para olheiras pigmentares: Para casos de melanose, peelings químicos com ácido glicólico ou láctico são altamente recomendados, com maior segurança em peles mais escuras.

                    • Procedimentos estruturais e de manutenção para olheiras: Preenchimento com ácido hialurônico e terapias regenerativas, como PRP e microagulhamento, são opções para melhorar a sombra estrutural, mas requerem diagnóstico cuidadoso e técnica adequada.